Ela olha para mim, mas me evita

Observe se ela olha para você. Às vezes, quando gostamos de alguém, não conseguimos parar de olhar para essa pessoa. Se pegá-la olhando para você com frequência, talvez ela retribua seus sentimentos. Se ela nunca olha na sua direção, pode estar tentando esconder o fato de que gosta de você, ou pode estar concentrada no trabalho. Ele diz que não gosta de mim e gosta de outra rapariga mas as atitudes dele mostram o contrário! Foi falar para uma amigos dele sobre mim que nao me conheciam , e eles chegaram ao pé de mim: ah tu e que és a Filipa ! Foi tb dizer aos amigos que gostava de mim mas há minha frente diz que não e já faz dois anos que nos conhecemos! nÃo me olha nos olhos mais TINHAMOS UM CASO DE UM ANO, SEMPRE QUE DAVA ESTAVAMOS JUNTOS, SE ENCONTRAVAMOS TODA SEMANA, SEMPRE NOS OLHAVAMOS UM NO OLHO DO OUTRO, TROCAVAMOS MSG, MAS DE [...] 3 respostas . Não fique disponível para ele toda vez que ele ligar para você, não mude seus planos apenas para ficar com ele, não seja tão fácil de conseguir. Deixe-me entender que você tem uma vida ocupada, e se você realmente quer, você tem que trabalhar um pouco mais. Evite ser ansioso ou agradável. Mas hoje através do olhar eu consigo ver quem esta gostando ou não de mim. 6 – Veja se ela tenta se aproximar ou tocar você. Uma forma de medir a reação durante a paquera é fazer contato físico; observe se ela toca seu braço quando você conta uma piada, se encosta “sem querer” no seu ombro ou se coloca a mão no seu joelho de leve. Tem um homem mas velho ele é motorista de ônibus,quando eu entro ele não mim olha aí quando eu sento na cadeira ele não tira o olho de mim,fica mim olhando no espelho do ônibus,de tanto ele fica mim olhando fiquei apaixonada por ele mas ele é vergonhoso demais,só trocamos olhares de longe mas eu sinto q ele sente algo por mim,um dia na hra de desse eu olhei pra ele ele tava todo ... BBB 20: Victor Hugo reclama de Guilherme e acusa: 'Nem me olha ... 15 Fev 2020 ... Victor Hugo reclama de Guilherme e acusa: 'Nem me olha mais na cara' ... Estou tentando me comunicar sorrindo, cumprimentando, mas parece que ...Mas se ele realmente fez isso... uma coisa é o jogo dele, outra é o dela. ... Leo Dias diz que Anitta sempre levou 3ª pessoa para cama; Scooby evita tema. www.bol ... Olha ele me olha muito, minha amiga até já pegou ele me olhando, volta e meia pego ele olhando pra mim, mas me ignora fazendo cara de poucos amigos toda vez que tento me aproximar, conversa com todos menos comigo, o que será qual é a dele? muito estranho isso. E sempre que passa por mim, abaixa a cabeça. olha ele me olha muito volta e meia pego ele olhando pra mim, mas me ignora fazendo cara de poucos amigos toda vez que tento me aproximar, conversa com todos menos comigo o que será qual é a dele? muito extranho isso não querendo me achar mas feia eu num sou não pra ele ta me olhando tanto e me ignorar assim Erika Strassburger Para começo de conversa, mulheres que amam verdadeiramente seus maridos e, principalmente, são correspondidas, raramente cairão na lábia de um galanteador. Infelizmente, por vários motivos, são coisas que acabam acontecendo em alguns casamentos. Isto não é justificativa para uma traição – afinal, independente do motivo, trair é e sempre será errado, mas os...

Estou perdido e fodi o relacionamento com a minha família

2019.11.30 04:26 iwbbthanme Estou perdido e fodi o relacionamento com a minha família

Bom eu não sou muito ativo na comunidade e tenho um certo medo (inexplicável) de comentar ou responder em redes sociais em geral, mas ainda sim eu tenho um desabafo
Hoje eu tenho alguns problemas mentais/psicológicos ( não sei ao certo se são muito graves pois nem eu nem minha família temos coragem de procurar ajuda/diagnostico) e tudo começou na minha infância. Eu sou filho de um assassino, um homem que foi procurado pela policia e por traficantes até finalmente ser morto dois ano atras, e como é de se esperar, por ser filho desse desgraçado eu mal tive uma infância em parte por não poder sair de casa ou seria morto ( o que é impressionante é que após a morte do meu pai alguns meses se passaram e eu e minha mãe descobrimos que um membro dos traficantes que procurava meu pai estava morando no bairro vizinho) em parte por ter desenvolvido uma paranoia absurda ainda com 5 anos de idade (quando minha mãe achou que era hora de eu saber dos crimes do meu pai). Ainda nesse período eu passei a me isolar muito e após um tempo desenvolver um comportamento narcisista, pois percebi que era o que mantinha os outros longe o suficiente para não serem uma "ameça".
O tempo passou, o narcisismo foi se esvaindo aos poucos e passei a confiar um pouco mais nas pessoas, mas ao mesmo tempo que o narcisismo se ia algo tomava conta de mim aos poucos era como um vazio, minha alto estima descia a cada dia que se passava e os pensamentos suicidas (que antes eu considerava bobagem) não me deixavam (e ainda não deixam). Isso foi a mais ou menos três anos e nesse período foi quando eu pela primeira vez me uni a um circulo de amizades que me fazia bem. Eles eram gente boa cuidavam uns dos outros, mas eu cometi um terrível erro: eu me apaixonei por uma das garotas que fazia parte desse circulo de amizades. Por conta disso diversas vezes eu acabei com os sentimentos feridos e acabei ferindo os sentimentos da minha melhor amiga que veio a gostar de mim. O sentimento de vazio as vezes era mais forte as vezes mais fraco, mas sempre estava ali tentando me afogar e no fim daquele ano eu me cortei pela primeira vez, originalmente aquilo era uma tentativa de suicídio, mas assim que me cortei a dor física foi maior que o vazio e eu senti que pude respirar de novo depois de meses sofrendo por um coração partido.Não preciso nem dizer que minha mãe ficou horrorizada quando viu os cortes e me deu um puta sermão de algumas horas.
Foi no segundo ano do ensino médio (ano passado) que eu conheci os amigos verdadeiros, pessoas que aos não se falavam muito no começo e com a minha chegada e a ajuda de um amigo meu ( que conheci no mesmo ano) unimos todos e hoje somos quase uma segunda família pra maioria. Mas mesmo assim aquele maldito sentimento não quis me largar e ficava cada vez mais intenso conforme o tempo passava e passar por outra rejeição amorosa não ajudou muito. Aos poucos eu fui aprendendo a lidar com isso e como evitar situações gatilho ( infelizmente uma delas é ficar sozinho oque numa casa grande demais para 4 pessoas, onde 3 vivem trabalhando é um tanto impossível de evitar). Mais tarde eu viria a me tornar um dos melhores amigos da garota que me rejeitou e descobrir que ela tinha tantos problemas quanto eu e até mais e ser o porto seguro de alguém tendo seus próprios demônios não é nem um pouco fácil e muitas vezes o que ela me falava piorava muito meu estado, mas eu sempre fui bom em disfarçar toda a merda que circula na minha cabeça. Ano passado foi quando eu estive mais próximo de um suicidio por conta de toda a merda envolvendo a garota de quem eu gostava, mas não o fiz e se quer tentei me cortar por apresso a meus amigos e minha mãe.
Os pensamentos suicidas nunca efetivamente me deixaram (ou eu nunca os deixei , eu não sei dizer), mas se tornaram tão frequentes que hoje só me corroerem lentamente e não chegam a ser um problema muito grande, mas agora o meu maior medo ta se concretizando eu to me formando provavelmente vou perder todos os meus amigos e eu me sinto tão perdido sobre o que fazer no futuro eu não tenho planos, não tenho desejos, não tenho uma carreira que quero seguir eu só estou a deriva, enquanto eu tinha a escola eu pelo menos tinha algum objetivo algo a alcançar, mas agora que cheguei aqui eu me sinto sem chão o tempo todo a única coisa que eu tenho certeza que eu vou acabar fazendo é me matar. E para piorar nos ultimos meses eu passei por duas situações bem estressantes uma sendo o termino com a minha amiga que gostou de mim desde e o primeiro ano e depois de alguns meses simplesmente foi embora e não fala mais comigo, me evita etc. E por conta disso eu voltei a me cortar e por disso minha mãe teve uma discussão (unilateral) comigo e agora ela não olha mais na minha cara, não fala mais comigo a semanas e eu não sei mais o que fazer a cada dia que passa ela parece mais estressada eu ajo normalmente (como sempre faço independente da merda), mas ela só me ignora e isso obviamente ta me fazendo uma mal fudido e não sei o que fazer em relação a nada disso.
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2019.11.13 03:52 Gopnikz Uma msg para mim...

Essa é uma msg para mim no futuro... Eu não sei se vc vai está vivo... Ultimamente o suicídio tem tem ficado cada vez mais perto e mais real e mais aceitável, olha neste momento eu tenho 21 anos... 21 anos de pura vergonha e desgosto sou capaz de ver e admitir... Eu me odeio... Eu ti odeio... Todos os dias eu oro para vc não ver o amanhã, infelizmente tenho visto o amanhã... Ja coloquei a faca no meu pescoço varias vezes falta coragem... Más sinto q a cada dia fico mais corajoso, ultimamente tenho sentido uma agonía na barriga tipo uma ansiedades enorme as vezes machuca parece q tem algo de baixo da minha pele... Vejo q todos q me cerca esta evoluindo eu percebi q tudo ta mudando... E eu não achava q eu estava mudando, más vejo q eu estou mudado tmbm... A cada dia desejo minha morte as vezes nem quero vencer na vida quero apenas descanso alívio... Encontrarei na minha morte, eu desistir de viver a muito tempo quando eu tinha 15 anos, o tempo fez eu esquecer das coisas surgiu amigos novos paixões... Mas percebi q isso é um ciclo de derrotas sem fim... E como se eu estivesse no inferno sabe... Sempre estou muito triste acontece algo q me faz ter esperança minimamente e depois e arrancado de mim, eu nunca tentei o suicídio pq eu pensava q eu era especial... Q o tempo cura e melhora tudo... Dês dos meus 15 anos a unica coisa q mudou foi A minha idade... Estou muito triste Tão triste q não sei para onde vai tanta tristeza... Estou tão infeliz e ja tem muito tempo q estou nisso... Eu Estou super cansado de fica rindo fazendo piadas Cansado de tentar ajuda as pessoas msm sabendo q não consigo nem me ajuda... Rir é tão difícil mas eu me acostumei abrir um sorriso msm querendo chora... Sempre tive na minha mente "Meus problemas são meus problemas eu não devo prejudica ou deixa ninguem se preocupado cmg... Todos tem problemas alguns até maiores q o meu" deu certo as pessoas me ver e acha q sou calmo sempre me olha como se eu não tivesse sofrimento ou tristezas como q se eu não sofrece kkk....
Más sabe existe aquela frase conhecida "Deus da a cruz q as pessoas aguenta segura" acho q é assim... Não lembro certinho más... Por mais q exista pessoas com problemas maiores eu não to aguentando mais os meus... Ta doendo muito MUITO... Só qm sente sabe eu sei q é muito egoísmo meu más... Fodase sabe.... Eu não sou ninguém na sociedade, eu só dou desgosto para mim para meus pais e para todos... Não tenho nada... Nada msm... Divido quarto com minha mãe... Eu e meu pai não se dá bem(ele mora com a mulher dele a gente nem conversa) e eu não me desenvolvo em nada ... Larguei a escola pq eu não consigo aprender eu estou em caos a muito tempo... Pensei q quando eu ficasse adulto ia passa eu ia melhora... Sempre me propôs a muda do fundo do meu coração... Juro eu tentei Más eu não consigo sozinho.... Olha as vezes amigos conseguiu me ajuda msm eu não me abrindo e paixões me deram esperança de lutar e ter algo... Más nenhuma... Nenhuma deu certo isso não é por causa de meninas... Isso é só uma parte como disse amigos e paixões me fizeram me sentir amado e querido em mundo q eu ja tinha desistido... E amigos e paixões me distraiu e me ajudou... Até pouco tempo. nunca namorei pq eu sou apegado a sentimentos não quero nada falso ou seja não fico me relacionando a não ser quando me apaixono... Tudo tem dado errado eu ja tava destruído... Só tinha meus amigos e uma menina q eu gosto no momento...(gostava) Então ela tem os problemas dela e tals como todos nessa terra etc... E ela não me ama, depois de muito tempo tentando coquistala vi q não consegue e deixei...(sabe ela me dava forças más eu cansei de luta... Cansei de viver sabe de respirar de tentar as coisas de tenta ser feliz de fingir q estou feliz e bem... De fingir q nada ta acontecendo na minha cabeça) E Sabe quando tudo dá errado e do nada parece q colocaram uma ancora na minhas pernas e eu comecei a afundar sem parar...
Estou vendo todos evoluir tipo amigos e conhecidos etc... Vejo todos muda... Sempre sentir vergonha de mim... Más com o passa do tempo ta piorando pq estou vendo tudo passa e eu não consigo fazer nada... Sinto q eu to fodase para todos... Eu deixei de gosta da menina q eu gostava... Não sinto vontade de ver meu melhor amigo... Na verdade estou vendo os dois como estranhos...sabe não tenho vontade de mais nada... Eu não quero renova esperança... Não quero mais amigos ou amores... Não quero mais me sentir bem por um tempo e depois tudo se retirado e eu cai em realidade... Tenho 21 anos e estou me sentido muito velho... Estou velho para não te terminado o ensino médio... Muito velho para nunca ter trabalhado... Muito velho para mora com minha mãe dividindo quarto... Más sei q sou muito novo para vida... Más sinceramente estou no meu límite... Luto contra o suicidio des dos meus 15 anos... Eu sou cristão acredito em Deus e não queria me matar... Más últimamente na minha mente só vem uma unica coisa "alivio e descanso" não quero nem msm ser feliz ou ter sucesso... Quero descanso da vida sabe... Ir embora para sempre... Ei minha mãe me ama eu sei disso... Más eu estou sofrendo e não sou tão forte quanto ela ou qualquer outro q esteja vivo... Eu to muito exausto... Nem escrever eu sei kkk... Q triste né kkk... Ainda Não me decidir q dia vou embora ou como... Más para morrer basta ta vivo... Meu pai sempre disse isso kkk... O primeiro passo eu ja tenho estou vivo né... Eu não sei como vai ser meus días daqui para frente... Ou quanto tempo eu vou dura... Então isso é um recado para mim caso eu passe disso... (Se isso tiver um fim né... Um fim vai ter!) Então voltando NÃO ACREDITE EM NINGUEM eles vao te trair ou te deixa... Se vc for igual a mim vc sera esquecido... ELES NÃO ENTENDEM COMO É VC REALMENTE E( e nem se importa) O AMOR NÃO EXISTE( minha mãe me ama só ela) digo q o amor não existe no sentido de relação com outras pessoas... Eu sei q se eu conseguir continua vou me apaixona de novo... Eu sei q vc vai... A gente Não controla o coração... Más a gente controla a cabeça NINGUEM TE AMA LEMBRESSE DISSO... O mundo é duro com todos... Vc tem q ser forte... Más eu não tenho mais força... Acho q postarei isso em algum lugar para salva... Se por algum milagre em minha vida acontecer... Vou olha essas dicas... NÃO AME NINGUEM NUNCA MAIS... VC VAI EVITAR SOFREMENTOS... SEJA AMIGOS OU PAIXOES... Evita laços vai evitar dor de cabeça e eu estou doente ... Eu sou doente tenho problemas mentais... O tempo não curou essa ferida, estou em um momento racional e no momento ainda tem uma faisca de esperança... Más vai chega días ruins... quero dizer q sou infeliz em todas as áreas da vida... Moro em uma casa de 3 comodos, divido quarto com minha mãe... Não tenho pai.... Não tenho emprego ou escolaridade... Não tenho forças para luta arruma um emprego planeja um futuro busca com unhas e dentes não tenho vontades de vencer crescer evoluir estuda... Etc sou um vivo morto... Parasintando.... Talvez eu tenha q ser medicado algum remedio q me de energía seila.... Não tenho forças nem vontades des dos meus 15... Não aguento mais.... Más Não quero conselhos nem nada... E apenas um desabafo (Eu sei q não sei escrever) Passo por isso des dos meus 15 como eu disse é um momento e desabafo... Reflexão mas como eu disse eu to mudando antes eu pensava "suicidios e para os fracos e covardes q não aguenta a vida... Vou continua msm q a vida seja bosta" hoje eu não penso assim mais kkk...
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2019.07.07 23:07 almofarizdosombra Feedback sobre texto

Nos últimos tempos, tenho andado a escrever uma pequena história e gostava de ter algum feedback. Já mostrei a alguns amigos, mas queria obter outro tipo de feedback menos parcial. O objetivo não é necessariamente publicar, mas também melhorar e aprender algumas coisas. Deixo aqui os primeiros três capitulos. É um romance dramático. Desde já obrigado a quem tirar um pouco do seu tempo para ler. Qualquer tipo de feedback é apreciado.

I
Sempre Bem
Sinto o seu cabelo suave enquanto lhe acaricio a cara lisa e macia. E linda. Muito linda. Aqueles cabelos sempre foram a minha perdição. Pretos, encaracolados, macios e cuidadosamente bem tratados. Mas não se pense que sou fraco, afinal até os homens mais fortes têm fraquezas. Vide o exemplo do Super Homem, individuo possuidor de uma super força, uma super velocidade, invulnerável até à mais poderosa bomba nuclear. Exceto à kryptonite. Com as devidas diferenças, eu acredito que sou um Super Homem. E aqueles cabelos são a minha kryptonite.
Ela agarra-me a mão como ninguém sabe agarrar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
Aproximo-me até estarmos quase colados. Ela está estranhamente calma. Eu estou estranhamente calmo. É como se já soubéssemos o que vai acontecer. Na verdade, não era difícil de advinhar. Há coisas na vida que são inevitáveis como o céu ser azul, depois de sábado ser domingo ou a morte. Mas mesmo nas inevitabilidades, a vida consegue ser imprevisivel. Peguemos no exemplo da morte: toda a gente sabe que vai morrer, mas não sabe quando, como, onde nem porquê. Até há quem já esteja morto e ainda não saiba. Mas eu não gosto de pensar na morte. Eu, qual Super Homem, estou sempre bem.
Os nossos lábios tocam-se ou pelo menos eu acho que sim, mas não tenho a certeza. Não tenho a certeza porque não sinto. Nada. Todo aquele momento inevitável que era suposto ser o pináculo da nossa relação até então, tantos rios que fizemos para desaguar naquele mar e agora estou adormecido. Vem-me à cabeça Let It Happen de Tame Impala.
It's always around me, all this noise, butNot really as loud as the voice saying"Let it happen, let it happen (It's gonna feel so good)Just let it happen, let it happen"
All this running aroundTrying to cover my shadowAn ocean growing insideAll the others seem shallowAll this running aroundBearing down on my shouldersI can hear an alarmMust be morning
É mesmo de manhã. Pego no telemóvel para ver as horas: 7:30. Foda-se, já estou atrasado. Procedo à minha rotina matinal: desligo o alarme; levanto-me da cama; ligo a torneira para aquecer a água; vou buscar a toalha e a roupa interior; sento-me na sanita a pensar na vida enquanto espero que a água aqueça; tomo banho; volto ao quarto para me vestir; como o pão com manteiga e bebo o café que a minha magnífica mãe pôs na secretária enquanto estava no banho; arrumo o PC e o carregador na mochila; ponho os headphones e ligo o Spotify. Tudo isto em meia hora. Não sei se é rápido ou lento, mas já sigo esta rotina há tanto tempo que o faço inconscientemente.
No caminho até ao autocarro, cruzo-me sempre com quatro cães. O primeiro é pequeno e peludo e traz consigo uma certa inocência e fragilidade; o segundo é já bem mais forte e imponente, mas muito calmo e pacífico. Acho que nunca o vi a ladrar ou sequer agitado o que não é muito normal para um cão daquela envergadura; o terceiro é a personificação do ditado “cão que ladra, não morde”; por último, mas não o menos importante, um pouco mais distante dos outros três, está o meu favorito: um pastor alemão de médio porte, tristonho, solitário e carente. Não sei o que se passa com ele, mas, seja a que hora for, está sempre deitado no chão no mesmo cantinho a olhar para a pequena porta gradeada à sua frente, esperando uma alma caridosa que passe para lhe dar o carinho que ele necessita. E eu bem tento, mas ele não me deixa. É bem jogado, eu não sou de confiança. Dejá vu. Tenho tanta pena dele que até já pensei em raptá-lo para lhe dar uma casa em que ele seja amado. Até comentei isso com ela.
Nós falamos tanto. Não me lembro da última semana que passei sem falar com ela, seja por mensagens ou (o meu favorito) pessoalmente. Por vezes estou eu perdido nos meus pensamentos como muitas vezes acontece e dou por mim a pegar no telemóvel e mandar-lhe uma mensagem. Falamos da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Ela tem uma cadela linda. Gosto tanto dela que é o meu wallpaper do telemóvel.
Já cheguei e nem reparei. Faço isto tantas vezes que já é automático. Instantâneo. Às vezes gostava que não fosse assim, que tomasse mais atenção ao que me rodeia, que aproveitasse mais os momentos, mais lentamente. Na verdade, neste caminho rotineiro, só há duas coisas às quais presto atenção e vejo com olhos de ver: cães e mulheres. Os cães iluminam o meu dia e aquecem o meu coração de tão fofos e inocentes que são. As mulheres fazem-me viajar. Por cada uma que passo, reparo nos seus traços, na sua postura, no seu olhar e imagino que aquela pode ser o amor da minha vida. Mas não é. Nunca é. E ainda bem para elas, certamente estão melhores sem mim. Dejá vu.
Chego ao portão e vou buscar o telemóvel para ver qual é a sala. Tenho uma mensagem do Diogo. «Não vens à avaliação?». Foda-se, esqueci-me. Não faz mal, eu safo-me, estou sempre bem.
II
Música Fria
“Isola-se a incógnita no primeiro membro e passa-se tudo o resto para o segundo membro com a operação inversa”.
Olham todos para mim com raiva e inveja. Outra vez.
“Certo, mais uma vez, mas na próxima não quero que sejas tu. Quero ouvir os outros”.
Eu não pedi isto. Eu não tenho culpa. Parem de olhar assim para mim. Enfio a cabeça no caderno e tento afastar os olhares, a inveja e a raiva da minha cabeça. Foca-te. Pensa em momentos melhores. Respira. Quem me dera que a Filipa gostasse de mim. Não, é impossível. De todos os pretendentes, nunca me iria escolher. Quando tens pretendentes muito mais fortes, confiantes e experientes, porquê escolher o mais fraco? Para não falar da beleza dos candidatos que é um fator muito relevante nestas discussões. Aí a diferença é abismal. A única vantagem que tenho é que somos amigos, mas a amizade não conta muito nestas coisas.
Dou por mim a resolver o resto dos exercícios. Já é automático. Instantâneo. Para mim, a matemática corre-me nas veias. Quem me dera que fosse assim nos outros aspetos da vida. Quem me dera que todos gostassem de mim. O meu sonho é que um dia toda a gente goste de mim. Vai ser tão fácil viver sem os olhares de julgamento, a inveja, o ódio.
Levantam-se todos, é hora de intervalo. Dez minutos a respirar ar fresco enquanto dou voltas à escola. Apesar de tudo, uma pessoa tem que se manter em forma. Se passo o dia numa sala e as aulas de educação física são o que são, como é que é suposto manter a forma física? Além disso, não tenho mais nada de interessante para fazer. Os temas de conversa são aborrecidos, não aprendo nada. E se não estou a aprender ou a evoluir é uma perda de tempo. Encontro a Filipa ao voltar para a sala. “Vais ficar hoje?”. Hoje é a reunião dos pais e normalmente a turma toda fica lá fora à espera deles. É melhor que ficar em casa sozinho com fome à espera que a tua mãe volte para te fazer o jantar. Assim pelo menos posso comprar um Snickers na máquina para enganar a fome. “Não sei.”. “Fica. O que é que vais fazer em casa sozinho?”. Eu já sabia que ia ficar. Estava só a fazer um teste para ver se ela se importava.
As aulas da tarde são sempre a mesma coisa. O que é habitualmente uma turma irrequieta, está agora apática.
“Dom João quarto casa com Luísa de Gusmão a 12 de janeiro de 1633”.
Quem me dera viver nesta época. Era tudo tão mais fácil. Evitava-se todo este jogo para descobrir se aquele era realmente o amor da tua vida, se vale a pena continuar, se vale a pena tentar ou se o amor da tua vida existe sequer. Simplesmente combinavas com outra pessoa que iam ser o amor das vossas vidas. Dava jeito a toda a gente. Evitava-se todo o tipo de confusões, dramas e lamúrias. Há quem diga que isso é que traz a magia às coisas. Eu digo que é uma merda. No modelo antigo, pessoas como eu podiam ser felizes. Assim, a possibilidade é bastante baixa para não dizer nula.
“Qual é a tua música favorita?”, pergunta-me a Filipa enquanto vejo a mãe a passar.
“Não gosto de música”.
“O quê?! Nunca conheci ninguém que não gostasse de música. É impossível. Toda a gente gosta de música.”.
“Eu não gosto”. Desta vez não estava só a tentar ganhar a atenção dela, é mesmo verdade, não gosto de música.
“Vou-te mostrar uma música.”. Olha para o telemóvel e põe uma música. Até não é má.
“É uma música fria”.
Ri-se. “És estranho.”. Diz isto enquanto me olha nos olhos. “Olha quero pedir-te um favor.”.
“Diz”.
“Ando a ter algumas dificuldades com matemática e pensei que tu me podias ajudar. Podíamos aproveitar este tempo e tu vinhas a minha casa fazer os TPC’s comigo. Que achas?”.
Ela não tem dificuldades a matemática. Pelo menos nunca aparentou ter até agora. Ou será que tem? As aparências iludem. “Pode ser”.
Sorri. “Vamos então.”.
É a primeira vez que alguém me convida para a sua casa. Não sei o que esperar, mas vai ter que ser rápido senão a minha mãe preocupa-se. Provavelmente consigo fazer aquilo tudo em dez minutos sem problema.
Afinal é isto. Mesmo que me tivessem dito que ia ser assim, que era disto que devia estar à espera eu não acreditava. Olho para o meu lado esquerdo e vejo a Filipa um bocado abatida. Compreensível. Se para mim foi anticlimático, imagino como terá sido para o outro lado. Tenho que dizer alguma coisa para tentar mudar este momento.
“Gostei da música que me mostraste. Põe outra vez.”. Vejo-a levantar-se, pegar no telemóvel e pôr a música. Acho que resultou. Pelo menos para mim o ambiente está melhor.
III
Tem de Ser
Estico-me para chegar ao telemóvel. “Posso meter uma música?”. Incrível como passados estes anos todos ainda continuo a ter os mesmos hábitos.
“Claro.”. A Sofia olha para mim como se aquele fosse o melhor momento da sua vida e eu fosse o principal responsável por isso. Chego-me perto para retribuir. Beijo-a ao som da Musica Fria. É um bom momento. Por alguns instantes, engana-me. Mas não é ela.
Volto ao telemóvel e abro as mensagens. Já não lhe mando uma mensagem há muito tempo. «Olá». Ela já sabe como isto funciona. Daqui a umas horas, vai-me responder e vamos falar da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Talvez até tenha sorte e receba alguns vídeos da cadela dela.
“Na quarta saio mais cedo. Podias vir aqui.”. A Sofia quer demasiado. É sempre aqui que as coisas começam a descambar. A minha vida amorosa é um ciclo vicioso. Começa sempre no verão e com ele vem uma sensação escaldante, uma energia renovada, a vontade de fazer mais e melhor a cada dia que passa. É por esta fase que ainda não desisti. É por isto que quase vale a pena. Sorrateiro, mas sem piedade, chega o outono. As folhas verdes e viçosas que antes emanavam esperança, estão agora castanhas e cansadas espalhadas pelo chão. É aqui que percebo mais uma vez que ainda não é esta. Não é ela. Aquilo que fazias no verão já não o consegues fazer. É demasiado frio. Agasalho-me para me sentir um pouco mais quente e preparar o inverno. Chega o inverno rigoroso. Todos os anos chega de rompante, sem avisar, sem dó nem piedade. Deixa-me a tremer de frio. Já não faço nada do que fazia no verão, só me apetece ficar em casa à espera que passe a tempestade. Lentamente, chega a primavera. Sinto um cheiro a ilusão no ar, há uma esperança renovada, uma certa vontade de voltar a repetir tudo à espera que desta vez o resultado seja diferente.
Repetir a mesma coisa vezes sem conta à espera de um resultado diferente: a definição de loucura. Todos os génios têm um pouco de loucura e eu, como génio que sou, não fujo à regra. Como génio a minha primeira invenção será um sistema de emparelhamento de casais. Nada dessas aplicações de encontros que há por aí. Nada disso. O meu sistema vai oferecer uma probabilidade de 99,9% dos participantes encontrarem o amor da sua vida. Para isso, os candidatos terão que passar por várias relações com término definido, a fim do algoritmo estudar as suas reações nesse espaço de tempo e também ao término inesperado da relação. Ah sim, esqueci-me de dizer que nenhum deles vai saber quando a relação acaba, isto para fazer com as reações sejam genuínas, com o objetivo de obter dados com a maior credibilidade possível. Também não vão saber quantas relações terão que passar até atingir o tão esperado amor da sua vida ou quanto tempo isso vai demorar. Agora que penso, se calhar este sistema já existe. Se calhar eu estou neste sistema. Se calhar estamos todos neste sistema. Se estivermos mesmo, eu sou a anomalia estatística. O 0,1%. A margem de erro. Não se pode ter sorte em tudo.
“Claro, achas que não ia aproveitar mais uma oportunidade para estar contigo?”. Tretas. Mentiras que eu repito na minha cabeça para me fazer acreditar que é mesmo verdade quando já sei o desfecho desta história.
Ah!, aquela última semana de verão. Acho que desta vez vou já fechar-me em casa no outono. Parece-me que este vai ser rigoroso.
Vejo-a passar no corredor. Ela repara em mim e vem dar-me um abraço. Adoro estes abraços. Ela abraça-me como ninguém sabe abraçar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
“Estás bem?”.
“Estou sempre bem, já sabes.”.
Vou ao bolso e tiro aquelas bolachas que ela gosta. Dou-lhe uma e começo a comer a outra. Adoro ver aquele sorriso que ela faz quando lhe dou a bolacha. É como se soubesse o que aquele gesto significa para mim.
“Não pareces bem.”.
Ela conhece-me demasiado bem. Demasiado até para o seu próprio bem.
“Mas estou, acredita. E tu?”.
“Já estou melhor. Um dia de cada vez.”.
Fico triste que ela não consiga ser 100% feliz. Se há pessoa que o merece é ela. Gostava de fazer mais por ela, mas não posso. Não consigo. Dou-lhe um beijo na testa e sigo para a aula.
«Hoje vou fazer aquela massa que tu gostas <3». A Sofia faz questão que eu não me esqueça dos nossos compromissos. Olho lá para fora e sinto o outono a chegar. Há uma certa beleza e tranquilidade nesta parte. Apesar de saberes que vêm aí tempos mais frios, ficas de certa forma contente porque tens a consciência do que está a acontecer. Assim, evitas ser apanhado de surpresa e, de repente, ficas sem tempo para te agasalhar. E tu não queres isso. Não queres, porque é assim que ficas doente.
Estou cá fora a fumar um cigarro enquanto olho para a porta. Porque é que estou a fumar? Eu só fumo quando estou stressado. Ou será que isso é uma mentira que eu repito para mim mesmo até acreditar, como tantas outras? Mas esta tenho quase a certeza que é mesmo verdade. Eu passo meses sem fumar até que um dia decido fumar um cigarro. Nestas fases nunca fumo mais do que um maço. Eu nem me apercebo quando elas começam porque não é sempre no outono. É como se o meu corpo dissesse que precisa de nicotina e eu lhe desse o que ele quer. Como muitas coisas na minha vida, já é automático. Instantâneo. Lucky Strike. Reza a lenda que tem este nome, porque, antes da marijuana ser ilegal, alguns maços continham um cigarro de marijuana como bonus.
Já chega. Pára e vai fazer aquilo que vieste aqui fazer. Toco à campainha. Se demorar muito, vou embora. Está calado, faz-te homem. Tem de ser. Há coisas na vida que tem mesmo de ser. É como se costuma dizer: o que tem de ser, tem muita força. Tanta força que me consegue empurrar escada acima, até ao quinto direito, para fazer aquilo que eu não quero fazer. Mas tem de ser.
Recebe-me com aquele sorriso que fazia derreter o coração de muitos. És tão boa para mim, Sofia. Foste tão boa para mim, Sofia.
Oh, I have been wondering where I have been ponderingWhere I've been lately is no concern of yoursWho's been touching my skinWho have I been lettingShy and tired-eyed am I today
Sometimes I sit, sometimes I stareSometimes they look and sometimes I don't careRarely I weep, sometimes I mustI'm wounded by dust
Nada dói mais do que o som duma porta a fechar. O impacto foi tão forte que caí para trás. Fico sentado encostado à parede a olhar para aquela porta que se acabou de fechar. Mais uma. Passa mais uma. Eu não quero saber, podes olhar. Sim, estou aqui no chão a chorar enquanto olho para a porta da mulher que acabei de rejeitar. Algum problema? O único problema aqui é tu não seres ela. Quem me dera que fosses. “É ela, não é?! Eu já sabia!”. Ela não te diz respeito, por isso, quando falares dela, falas com respeito. Era o que devia ter dito, mas eu sou fraco. Nestas questões, sou fraquíssimo. Mas se até o Super Homem tem uma fraqueza, eu também posso ter. No entanto, o que é o Super Homem sem o amor? Podes ser o imperador do mundo inteiro, da galáxia inteira, mas sem amor não és homem nenhum, quanto mais Super Homem.
E se eu me atirasse daqui? Será que morria? Se eu morresse, ninguém ia querer saber. Só ela. E mesmo ela ia ficar triste inicialmente, mas depois ia passar. Até é melhor para ela, evita-se a inevitabilidade a que todas as minhas relações se destinam: fracasso. Todas as amizades, todos os namoros acabam por dar mal de uma maneira ou outra e o pior é que sugo sempre um bocado da outra pessoa comigo. Prefiro não estar cá para ver isso acontecer com ela. Até agora pensei sempre na razão de eu ter tanto azar, afinal eu sou boa pessoa. Agora percebi finalmente. Só há uma possibilidade, um denominador comum, uma pessoa em falta: eu.
Chegou a hora de eliminar os denominadores, mas antes disso tenho que lhe deixar uma mensagem para ela saber o quão boa foi para mim. Desculpa.
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2019.05.12 16:26 chickenchicken2468 [DQ] Ao redor do candelabro

12/05/2019. Tema: vida e morte

Ao redor do candelabro
Era uma noite de tempestade, mas isso não era um grande problema para quem vivia num apartamento no centro de São Paulo. Os trovões se confundiam com o barulho dos carros, a chuva caía forte, mas o décimo terceiro andar estava acima de qualquer enchente no Túnel Rebouças.
Ou quase.
Depois de um forte clarão lá fora, as luzes do bairro inteiro apagaram.
— Espera um pouco, gente! Já sei!
Fernanda abriu um armário e tirou de lá um candelabro de ferro, todo entalhado, com cinco velas. Acendeu e iluminou a Fer, a Ju e a Lari.
— Fer, por que você tem um candelabro em casa?
— Foi coisa da Bruna! Ela comprou pra mim quando a gente estava pra voltar de Nairobi.
— Nairobi?
— É, no Quênia. Foi naquela viagem de safari no ano retrasado.
— As fotos ficaram lindas! Eu curti todas no seu Instagram!
— Então, daí quando a gente estava indo do hotel pro aeroporto, já na volta, aconteceu que o ônibus estava demorando muito. Daí a Bruna começou a falar com essa senhora que estava vendendo um monte de coisas. A mulher começou a contar da filha dela que tinha morrido de doença quando era bem criança. É até difícil contar. Quando era ela mesma contando, dava até arrepio. Ela falava da criança correndo na vila que ela morava, com aquele inglês com sotaque pesado, e a Bruna sempre lá perguntando. Eu só estava querendo ouvir a história e olhar as coisinhas que ela tinha para comprar. Daí eu perguntei para a moça de onde tinha vindo o candelabro. — Fernanda pegou seu copo d`água e tomou um gole — Ela disse que tinha sido um presente da mãe dela, e que ela tinha usado para iluminar o velório da filha.
— Ah. — Ju tomou um gole de vinho. — que história triste.
— A Bruna perguntou pra ela como que tinha sido, e aí ela foi contando que no velório na vila dela cada um que chega conta uma história da pessoa que morreu. E aí é como se a memória dela vivesse para sempre, entende? Para eles, a morte não é o fim de tudo, é só o fim de um ciclo, mas a pessoa continua tendo mudado o mundo em que ela viveu.
— Por que ela estava vendendo isso?
— Parece que ela estava vendendo o que tinha. Pobreza extrema é foda, né? Acho que ela estava precisando voltar para a vila. Eu comprei o candelabro, e a Bruna ainda deixou uns duzentos dólares a mais com ela.
— Nossa. E falando nisso, cadê Bruna?
— Deve estar vindo. Ela já chegou na hora alguma vez na sua vida?
— Verdade, Fer! Nossa, me lembrei quando eu fui com a Bruna para o Rio de Janeiro. O vôo era sete horas da manhã, a gente chegou em Congonhas às seis e quinze. A gente passou no terminal quando o portão já estava quase fechando, e aí todo mundo no avião olhou torto pra gente.
— Ainda bem que vocês entraram, as fotos ficaram muito boas!
— Eu nem tenho Instagram!
— Mas a Bruna tem! Vi vários stories de vocês no cristo, na praia e também naquele lugar que o povo aplaude o Sol se pondo…
— O arrpoadorr! — disse Ju, com uma entonação de quando uma paulistana tenta falar com os erres da zona Sul do Rio.
— Isso!
— Olha, o Rio foi muito legal, mas o povo é muito mais relaxado. Aqui em São Paulo, quando você vai num restaurante, se a comida demora a gente quase baixa um processo. Lá no Rio não. Você pede uma caipirinha e pode ficar olhando o mar porque vai demorar. Mas o pessoal se vira bem. Acho que a gente de São Paulo podia passar mais tempo só olhando as ondas do mar, se aqui tivesse mar. Sei lá, a gente podia passar mais tempo assim…
— … contemplando?
— Contemplando! É, foi muito legal. Várias vezes lá no Rio eu a Bruna ficamos só olhando as praias, as pessoas, ouvindo os sons, sabe? Foi muito bom.
— Mas no Rio não é perigoso ficar parado na rua?
— É um pouco. Mas as ruas continuam cheias, então acho que eles não pensam nisso o tempo todo. Tem que se prevenir um pouco. A Bruna até trocou o nome da mãe dela no telefone de "mãe" para "Dona Marta" só para evitar sequestro relâmpago. Isso é complicado. Lá no Rio eles fazem isso como se fosse normal!
— Como que isso evita sequestro?
— O sequestrador não consegue saber para quem ligar e pedir o resgate.
— Mas e se acontecer alguma coisa? Como vão achar para quem ligar?
— Ah, sei lá! Vira essa boca pra lá, Fer!
— Acho que a Bruna é carioca!
— Ela parecia carioca mesmo, naqueles bailes funk que a gente foi!
— Ou então ela é porque ela é de peixes!
— Ela parecia estar bem feliz por lá.
— Todo mundo já viajou com a Bruna, menos eu!
— Ah, Lari, não fica assim! Vocês vão viajar juntas um dia!
— Mas eu já fui com ela em um buteco que vocês não foram!
— Como assim?
— Foi depois do velório da minha mãe. Vocês duas estavam no intercâmbio, mas a Bruna estava aqui.
— No intercâmbio? Então isso já faz uns cinco, seis anos?
— Sim. A Bruna ficou me ouvindo falar da minha mãe. Estava um dia tão bonito, todo ensolarado! Tinha chovido muito na noite anterior, e o cemitério era um campo todo cheio de árvores e flores. Daí a Bruna me abraçou enquanto eu chorava. Ela foi uma fofa, porque eu chorei acho que por umas duas horas. Ela me disse que as pessoas boas, quando morrem, viram pó de estrela e se espalham pelo universo. E aí, depois do enterro, ela me levou pro buteco, só porque era lá perto. A gente nem bebeu nada, mas eles faziam um suco de melão muito bom. A Bruna conhecia o dono. Ele é um velhinho muito simpático, o Seu Mário. Aí ele fez pra gente uma costela especial.
— Por que a Bruna conhecia o dono?
— Ela me disse que a Dona Marta tinha levado ela naquele buteco logo depois do enterro do pai dela. E Dona Marta conversa com todo mundo… acho que foi daí que a Bruna puxou essa simpatia toda! A minha mãe, antes do Alzheimer, era muito falante também. Mas aí ela foi esquecendo das palavras, dos rostos, daí das pessoas. No finalzinho, ela se esqueceu de mim. Quando ela morreu foi muito triste, mas foi um alívio também. Agora ela virou pó de estrela, e ela deve ter virado um pedacinho de um monte de árvores e flores por aí.
— Isso tem cara de frase da Bruna.
— Foi mesmo. Ela é muito sensível, né? Na verdade, ela também disse que cada um de nós é um pouco flor e um pouco árvore, mas eu achei isso meio brega e não quis falar.
— Meio brega, mas você está enxugando as lágrimas de pensar nisso.
— Ah, vá. — Lari passou o dedo perto do olho, enxugando as lágrimas tentando sem sucesso não borrar a maquiagem.
— Ela deve ter aprendido isso tudo com a Dona Marta. Nem imagino como deve ser ter que consolar a filha porque o pai morreu de doença.
— É, eu conheço ela desde criança! Sorte minha! A gente falava que ia ter filho juntas! — disse Fernanda.
— Uma com a outra?
— Não, Julianny! Cada um o seu próprio filho!
— Falando em filho, Dona Fernanda, estou vendo você aí só na água enquanto todo mundo está no vinho. É por isso que você chamou a gente aqui?
Fernanda ficou vermelha. Ensaiou que ia dizer alguma coisa, mas não respondeu. Larissa se adiantou:
— Só assim prá gente se encontrar!
— Pára gente. Eu queria falar disso só quando a Bruna chegasse!
O telefone da Ju tocou.
— É a Bruna! — atendeu, sorrindo, mas foi ficando séria — Oi! Oi? Ah. Sim. Julianny, com ípsilon e dois enes. Sim, isso. Sim… onde? Sério? Como? Ah, bem, obrigada…
Julianny desligou e se sentou, com os olhos cheios de lágrimas.
— Gente, a Bruna morreu.
— Como assim?
— Era do hospital. Me ligaram porque era o número que estava na agenda de telefone dela. A gente tem que buscar a Dona Marta… Fer, você dirige?
— Vamos.
... .... .... .....
No dia seguinte, o céu estava azul e sem nuvem nenhuma. O corpo da Bruna foi enterrado debaixo de uma salva de aplausos. Aos poucos, todo mundo foi embora. A família da Bruna se abraçou e voltou prá casa. Os amigos mais distantes saíram, um por um. Ficaram ali as três, olhando.
— E agora, o que a gente faz? — disse Julianny.
Fernanda, entristecida, pensou na própria gravidez:
— Acho que guardei essa surpresa por muito tempo. A Bruna ia ter ficado feliz de saber.
Larissa abraçou as outras duas, que começaram a chorar. Ficaram ali por algum tempo. Não marcaram a hora, mas foi tanto tempo quanto precisavam. Quando o choro ficou mais calmo, Larissa pegou a mão das amigas e disse:
— Ela está se espalhando pelo universo. Daqui a um tempo, ela vai ter virado um pedacinho das árvores e das flores. Mas nós ainda não. Venham. Sei de um lugar aqui perto que tem um suco de melão delicioso. Eu conheço o dono!
FIM.
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2019.04.24 02:30 Spookycliquebr Twenty One Pilots para a NME [traduzido]

As filiais da B&Q em Birmingham devem estar fazendo um grande comércio de fita adesiva amarela. Fora do Resort World Arena da cidade, em 27 de fevereiro, os adolescentes estão aplicando-o avidamente ao uniforme verde do exército. À medida que mais tropas descem - com lenços de pescoço amarelos usados ​​como máscaras - é como um elenco para uma versão júnior de The Purge.
Os espectadores podem ser perdoados por presumir que uma demonstração Anônima vai acontecer, mas esta é a Skeleton Clique, superfanbase ferozmente dedicada de Twenty One Pilots, esperando do lado de fora do local seis horas antes do duo de Ohio estar no palco para dar o pontapé inicial no Reino Unido de sua gigantesca Bandito Tour.
Eles fizeram meticulosamente cosplay dos uniformes do vocalista Tyler Joseph e do baterista Josh Dun na arte e vídeos apocalípticos de seu último álbum, "Trench". Alguns se sentam esboçando fotos de seus ídolos. Um aperta um banner estampado com as palavras "VOCÊ SALVOU MINHA VIDA".
É apropriado, porque Twenty One Pilots - com seus principais temas de insegurança, saúde mental e fé - é uma banda perfeita para salvar a vida, uma referência para aqueles que acham que ninguém os entende.
No papel, no entanto, eles são desafiadoramente estranhos. Com "Trench", eles criaram um mundo mítico de alto conceito - que pode confundir até mesmo os roteiristas de Lost. Vagamente, sua trama diz respeito a uma cidade alegórica chamada Dema e os nove bispos ditatoriais que impedem seus habitantes de escapar - e a força rebelde de bandidos que buscam libertá-los. Mas há muito mais do que isso.
Longos sub-threads Reddit são dedicados a decodificar significados ocultos em músicas e decifrar pistas em cada peça de mídia que a banda lança. Há muitos ovos de páscoa: por exemplo, o nome completo de 'Nico' da música 'Nico e os Niners' - um grande inimigo - é Nicolas Bourbaki, que é o pseudônimo coletivo para os cientistas que inventaram a notação de zero - o ø usado na marca de twenty one pilots.
Musicalmente, eles são igualmente pouco convencionais: uma geração Spotify pós-gênero mistura de estilos que facilmente se exercitam através do rap, reggae, R&B, prog, electro-pop, indie - basicamente, eles voltaram a mão para tudo “Canto da garganta mongol”. No entanto, de alguma forma, é verdade que "Blurryface" - seu quarto álbum inovador - enviou o duo estratosférico em 2015, permitindo que o baterista Josh Dun fizesse seus backflips de marca regristrada nos maiores palcos do mundo.
Nos bastidores da arena, os assistentes [de palco] estão montando a elaborada e visualmente espetacular produção de Bandito, que envolve um carro em chamas, e dublê [de corpo] que permitem que um Tyler vestido de capuz desapareça e reapareça, como Houdini, no meio da música, em diferentes partes da arena.
Versões de brinquedos peludos do Ned - o personagem CGI gremlin que eles introduziram recentemente no vídeo "Chlorine" - sobre os alto-falantes. Quando nós primeiro pegamos um vislumbre de Josh - conhecido por suas acrobacias - ele está tocando bateria de ar e fazendo piruetas no ar para suas próprias músicas. Mais tarde, ele e Tyler brigam com os aspiradores de pó que estão sendo usados ​​para aspirar o palco.
Mas eles têm foco de laser. Na música de "Trench", "Bandito", Tyler canta: "Eu criei este mundo para poder sentir algum controle", e você acha que isso se estende a todos os aspectos da banda. Sua pequena equipe de proteção vem de sua cidade natal, Columbus, e tudo o que a NME faz com a banda acontece sob o olhar atento de seu círculo íntimo.
Durante nosso bate-papo de 70 minutos, o gerente da turnê está parado na porta do camarim, aumentando a sensação de que você pode ser transportado para um bunker, emergindo meses depois, reprogramado e enrolado em uma fita adesiva amarela.
Felizmente, a banda é charmosa e solícita. O principal compositor, Tyler, vacila de ser intenso a imbecil ("Nós passamos tanto tempo juntos, eu sinto que sei tudo sobre John", ele brinca com Josh).
Quando ele está dizendo algo revelador, evita o contato visual. Josh é seu lastro lúdico, tendendo a sentar em silêncio e participar apenas quando há uma piada. Nem xinga - nem sequer uma vez. Tendo vindo direto de uma sessão de autógrafos do HMV, Tyler está preocupado com sua voz. "Eu tentei não falar com nenhum deles, mas não posso evitar", diz ele. "Eu fico tipo: 'Muito obrigado por ter vindo, de onde você veio?'"
Eles parecem ser tocados pelos extremos aos quais seus apoiadores foram. Do lado de fora, os fãs até se agitaram vestidas como "bispos" em roupas vermelhas enquanto na Rússia, roupas de banana apareceram na multidão - uma piada sobre como Tyler e Josh, ambos com 30 anos, têm aversão à fruta.
"Nós fornecemos apenas alguns pedaços da inspiração, mas eles são os únicos que se tornaram o motor da coisa toda", diz Tyler. Além de Tyler uma vez "ficar na fila por oito horas, quando The Killers tocou minha cidade natal", nenhum deles foi a extremos extraordinários para seus grupos favoritos. “Nós desejamos que o nível de cultura dos fãs estivesse por perto quando éramos mais jovens”, observa Josh. "Porque muitas dessas histórias sobre como essas pessoas se conheceram e como elas se tornaram melhores amigas quando estão esperando na fila por horas e dias são inspiradoras e legais."
"Blurryface" tornou-se o primeiro disco da história a ter cada uma das músicas certificadas pelo menos em ouro. Quando eles colecionaram o Grammy em 2017 para Melhor Performance de Pop Duo / Grupo para o single "Stressed Out" (batendo Rhianna e Drake, e Sean Paul - um homem que os descreveu como "o novo Nirvana"), eles tiraram seus boxers em o caminho para o palco, lembrando-se de como uma vez eles assistiram ao show de premiação em suas calças em Columbus e disseram: 'Se algum dia ganharmos um Grammy, deveríamos recebê-lo assim'.
É indicativo de sua ambição. Tendo formado Twenty One Pilots como um trio na universidade em 2009, Tyler recrutou Josh e perdeu dois membros em 2011. “Desde o início, tínhamos grandes visões e sonhos de onde queríamos estar, então nada nos pegou de surpresa”, diz Josh , imperturbável. "O que seria mais surpreendente para as pessoas é quantas vezes nos olhamos e dissemos: 'Sim, é exatamente isso que imaginamos e o que vimos'.
Durante o ciclo "Blurryface", eles se lembram de vender pequenos clubes, teatros e arenas no mesmo ano. "Quando você diminui o zoom, você pode pensar: 'Ah, isso foi muito louco'", diz Josh. "Mas nós estávamos em turnê desde 2011 tocando em shows todas as noites, então você está perto demais para perceber isso. É como quando seu tio, que não o viu por um ano, chega e diz: "Você ficou muito alto".
As coisas mudaram, no entanto. Questionado sobre quem é o contato mais famoso em seu telefone, Tyler passa pela sua lista de contatos antes de parar em Chris Martin ("Isso é incrível de dizer em voz alta", ele ri) - o vocalista do Coldplay certa vez deixou uma mensagem de voz sobre a banda. Josh responde: Eu cresci ouvindo uma tonelada de Blink [182], então pensar que nos últimos anos eu me tornei amigo de Mark [Hoppus], é surreal. Quando eu era adolescente, eu nunca teria imaginado que iria trocar mensagens com ele.
Em outubro, quando lançaram 'Trench' - após um apagão de um ano sem envolvimento de mídias sociais ou shows, e uma trilha secreta para os fãs seguirem levando ao seu anúncio - ele só foi derrotado nas paradas por Lady Gaga e Bradley Cooper, com ‘Nasce Uma Estrela'.
Você pode argumentar que é igualmente cinematográfico: as pessoas sugeriram a Tyler que eles deveriam expandir suas promessas distópicas em um longa-metragem. "A intenção nunca foi, 'vamos escrever um disco que tenha força suficiente para se transformar em uma série da Netflix', mas é legal saber que criamos algo com substância suficiente para sabermos que essa pergunta está sendo feita", ele nega.
Além disso, embora camuflada na fantasia, e a mitologia Dema, com suas referências a religiões antigas como o zoroastrismo, "Trench" é, na verdade, uma dissertação sobre saúde mental do final de vinte anos. Nas composições, como nas conversas, Tyler diz suas coisas mais interessantes quando ele não olha nos seus olhos.
Tendo a narrativa preparada “durante anos”, ele tentou introduzi-la em “Blurryface”, cujo personagem principal é uma personificação de sua ansiedade e insegurança. Durante esse tempo, ele até se apresentou com as mãos e o pescoço revestidos de tinta preta - para representar o aperto tóxico de sua ansiedade. A maneira como ele descreve "Trench" é semelhante a um mapa psicanalítico do Google.
"É sobre usar a arte de contar histórias para entender melhor um problema muito menos fantástico que está navegando em sua própria psique e dando a ela um destino e lugares que você deve e não deve ir e os personagens que deve evitar. E isso pode ser encontrado dentro da luta de cada pessoa ”, diz Tyler.
"É interessante que 'Blurryface' - onde criei um personagem que representa tudo o que eu não gostei de mim mesmo e tudo o que estou tentando superar coincidentemente foi o álbum que realmente aconteceu para nós", continua ele. “O fato de sermos forçados a revisitá-lo todas as noites é uma lição valiosa em suas próprias inseguranças pessoais: você trabalha com isso, tenta superá-lo, mas nunca é algo que você pode simplesmente deixar de lado e se separar”.
Um trio de músicas em "Trench", Tyler se vê totalmente demitido e existe "fora da mitologia da série Netflix", como ele diz. 'Smithereens' é uma canção de amor bonitinha, dirigida por ukulele para sua esposa, Jenna Black, com quem ele se casou em 2015. 'Legend', entretanto, é uma homenagem ao seu avô, Bobby, que apareceu na capa do álbum de 2013 'Vessel 'ao lado do avô de Josh. Ele começou a escrever a faixa quando a demência de Bobby começou, mas seu avô faleceu em Março do ano passado, antes que pudesse ouvi-la.
Tyler: “Eu menciono nas letras: 'Eu gostaria que ela tivesse te conhecido.’ E eu estou falando da minha esposa, porque quando ela começou a aparecer, ele ficou pior. Ele costumava ser tão espirituoso e iluminava um quarto e mudava a dinâmica social de qualquer situação, e há centenas e centenas de histórias clássicas, mas quando ela chegou, ele estava indo depressa. Ele era imprevisível, não lembrava os nomes das pessoas, o que era um novo tipo de dor.”
Seus olhos parecem lacrimejar. “Meu pai me contou um momento no final - onde ele se lembrava do meu nome - e perguntou: 'O que o Tyler está fazendo?'. Ele sempre perguntava e meu pai tentava explicar: "Ele está em uma banda, toca música". E ele disse: "Bem, eu quero ouvir uma música".
E isso foi antes de eu escrever qualquer coisa para "Trench". Meu pai está dirigindo o carro e ele continua insistindo: "Bem, eu quero ouvir uma música!". E meu pai não tinha nenhuma música no carro. Por puro desespero, ele liga o rádio e agita o dial algumas vezes e uma de nossas músicas está ligada e ele pode dizer: "Lá - aí está ele e esta é a sua música".
“E assim, de uma maneira estranha, você pode pensar em todo o sucesso e reconhecimento que tivemos, foi apenas para preencher uma pequena história onde meu pai foi capaz de mostrar ao meu avô a música que eu escrevi naquele momento no rádio."
Em ‘Neon Gravestones’, tipo Post Malone, Tyler corre contra a alegoria de alguém tirando a própria vida de alguma forma "glamourosa" em vez de uma tragédia, cantando: "Na minha opinião, / Nossa cultura pode tratar uma derrota / Como se fosse uma vitória”, E a fetichização irresponsável do Clube 27 (“ Eu poderia desistir e aumentar minha reputação / eu poderia sair com um estrondo / Eles saberiam o meu nome”).
"Eu estava com medo dessa música", diz Tyler. “Então, essa música é muito preta e branca. Eu trabalhei duro em cada pronome. Porque eu sabia que era um assunto delicado, a última coisa que eu precisava era que alguém entendesse mal o que eu estava tentando dizer. Eu estava com medo de não me esconder atrás da metáfora. Eu entendo que há riscos em ser mal interpretado ou deturpado. Há uma chance absoluta de ofender as pessoas ou parecer desonra, mas eu realmente queria focar nas pessoas que estão aqui para ouvir. Eu queria apontar algo que gostaria de ouvir quando estiver passando por esses pensamentos.”
Tyler aplaude a nova geração de artistas falando abertamente sobre sua saúde mental e desabilitando o estigma. "Eu acho que nossa cultura, quando se trata de suicídio e depressão, deu um grande salto", diz ele. “Estou tão orgulhoso de que a música tenha liderado a capacidade de falar sobre isso tão abertamente, e falar sobre isso é muito importante. Então, de certa forma, eu realmente sinto que há um grande lado disso que tem sido coberto com "vamos falar sobre isso, tipo, você não é louco, não há nada de errado em apenas olhar quantas pessoas passam por isso".
"Trench" culmina com a abrangente "Leave The City", que Tyler descreveu como uma "crise de fé". Tanto ele como Josh foram criados em lares religiosos. O pai de Tyler era o diretor da escola cristã que ele freqüentava; quando Josh era mais jovem, a maioria da música secular foi banida, deixando-o para esconder contrabando de álbuns do Green Day debaixo da cama.
"Um dos equívocos é por causa de onde estamos e do que conquistamos - e porque as pessoas acham que temos um estilo de vida de rock louco - que aprendemos que não precisamos mais de Deus", explica Tyler. "E não é isso."
“Eu sou o tipo de pessoa que precisa desafiar tudo e minha fé é algo que eu sempre passei por temporadas fortemente desafiadoras e uma vez que eu coloquei em teste e vi o que é, eu sou capaz de aceitar isto. Durante 'Trench', houve momentos específicos em que você conseguiu ver onde eu estava em minhas temporadas de desafio e re-aceitação - e eu definitivamente estava passando por um momento desafiador. ”
“A questão é: preciso de Deus? A verdade é que não tenho resposta para isso alguns dias. Alguns dias eu tenho, e porque eu escrevo músicas, eu escrevo letras - você vai me ver entender. Não posso deixar de abordar esses tipos de perguntas porque é por isso que comecei a escrever músicas em primeiro lugar. ”
Essas grandes questões estão à espreita sob o capô de um carro muito brilhante. A razão pela qual twenty one pilots provaram ser tão bem sucedidos comercialmente é porque as próprias canções transbordam de ganchos. Você não precisa saber que "Leave The City" envolve uma crise existencial - ou exige um guia turístico para Dema - para aproveitar o fato de soar como M83 produzindo My Chemical Romance em sua pompa da Black Parade.
O que não pode ser exagerado é o quão divertido é o espetáculo ao vivo de Twenty One Pilots. Hoje à noite, eles se abrem com Josh segurando uma tocha acesa, incendiando um carro, e assistindo a fusileantes de shows de mágica de Vegas, kits de bateria de multidões, homens vestidos de Hazmat borrifando névoa na platéia, confetes e uma competição para encontrar o melhor pai dançarino.
Não é surpresa que Tyler diga que ele é competitivo: como alguém que já foi oferecido uma bolsa de basquete, pode ser. Coloque-o com outra banda e é como hamsters compartilhando uma jaula.
Quando eles assinaram com o emo-citadel Fueled by Ramen - lar dos amigos Paramore e Panic! At The Disco - Pete Wentz do Fall Out Boy levou-os sob sua asa para martelar isso fora deles. "Ele nos mostrou como ser bons irmãos", diz Tyler. "Quando começamos a tocar localmente, você estaria na lista com outras nove bandas. Você queria que eles explodissem, então você viria e roubaria o show. Quando saímos em turnê como o ato de abertura do Panic! e Fall Out Boy, nós tínhamos a mesma mentalidade, mas Pete disse: "Veja todas aquelas pessoas lá fora - vá e faça fãs".
"E eu nunca percebi...", diz ele com total sinceridade e sem nenhum traço de hipérbole em sua voz - "as pessoas poderiam ser fãs de mais de uma banda. Mas estaríamos mentindo se disséssemos que a vantagem competitiva desapareceu completamente. Queremos ser os melhores - e manter todos os outros afastados”.
Enquanto "Trench" foi escrito principalmente por Tyler em seu estúdio no porão em Columbus e enviado para Josh (que agora vive em Los Angeles), seu acompanhamento está sendo escrito na estrada. Ele irá aprofundar ainda mais no folclore de twenty one pilots. "Há um personagem sobre o qual não se fala que desempenha um grande papel e é provável que este seja o próximo passo", diz Tyler.
Josh, por sua vez, tem um casamento para se preparar, tendo se comprometido com a ex-aluna do Disney Channel, Debby Ryan, em Dezembro. Ele brinca que entrará na igreja com solos de bateria. Mas o que há em ambas as mentes é o final da turnê no Reino Unido - estrelando no Reading e Leeds em Agosto.
“Reading & Leeds é um dos primeiros festivais que assistíamos quando nos conhecíamos”, diz Tyler. “Nós assistíamos a vídeos na internet. Nos concentramos nesse programa há meses, no que a produção vai ser.”
Tyler olha para os sapatos, frustrado consigo mesmo. "Não consigo expressar exatamente como isso é importante, mas estamos muito animados em poder provar que esse é o lugar onde pertencemos. Nem todo mundo está lá na platéia para ver você e você tem que conquistá-los, você tem que trabalhar duro para eles. Há outras bandas tentando se destacar e estamos prontos para tirar a cabeça deles.”
Resistência - liderada por bandidos ou não - é fútil.
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Ele me olha mas me ignora ? - Clube Superela

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  10. DEUS OLHA PRA MIN, ANDRÉ DE ITAPE ,HARMONIA CCB

Primeiro single do cantor Melk Villar no CD 'O Amor Venceu' Produção Executiva e Artística: Salluz Productions Produção Musical e Arranjos: William Augusto e... Dizem que os olhos são a janela da alma. Pode haver quem discorde disso, mas que o olhar comunica muito mais do que imaginamos, isso é verdade. Certamente você tem aquele amigo que só de olhar ... Letra da música (Duvidou da Minha Pegada) Ela me chamou de novinho E disse que eu sou massa Mas fez cara de deboche Duvidou da minha pegada Sem caô falou pra mim Que comigo topava tudo Sem caô ... Olha pra minha cara de que eu vou, vou ... ela vai ficar chapada Me manda embora pra depois ir pra minha casa ... Mas se for demorar É melhor me avisar Tem outra no seu lugar, ahn, ahn ... 50+ videos Play all Mix - MC ALYSSON & MC KEVIN O CHRIS - MAIS UMA VEZ ME ENVOLVI COM VOCÊ 2018 YouTube KEVIN O CHRIS - ELA É DO TIPO - VAI REBOLA PARA O PAI (( MÚSICA NOVA )) KEVIN O CHRIS ... Mas não desanime, Deus vai te ajudar. C Em F G ... Deus olha para mim , Ebner Chrispim, e Meninos de São Francisco - Duration: 4:45. Harmonia ccb Ruby Makes 1,077 views. 4:45. Parece que a algarvia até teve algum cuidado na escolha da música, mas a sportinguista não ligou o mínimo. «Ela estava a olhar para mim tipo: sai-me da frente!», diz Andreia. Loading... Muitas solteiras se entregam aos sentimentos rapidamente. Às vezes, é um olhar e pronto, ela já está amando e depois quase sempre se decepciona. Mas como evi... Olha pra mim, você já sabe O que eu sinto não é mais um segredo Eu sempre quis alguém assim Pra me amar e cuidar de mim Eu prometo, vou te retribuir Tudo aquilo que tem feito por mim Ah, eu ... Félix tenta falar com Ângela para resolverem as coisas mas ela evita a conversa. ... MCA 7 Félix e Ângela ' olha para mim e ouve-me' juhh2000. Loading... Unsubscribe from juhh2000?